A Clínica

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    O IMED Toledo é um centro médico constituído por clínicas de diversas
especialidades, que visam trabalhar em parceria com o intuito de facilitar o atendimento
e prestar uma assistência integrada à saúde. 
    Uma destas clínicas é o CAD – Centro do Aparelho Digestivo –, criado com o
objetivo de ser referência no diagnóstico e tratamento das doenças do aparelho
digestivo, sejam elas de abordagem clínica, endoscópica ou cirúrgica. 
    O CAD dispõe de uma moderna estrutura de consultórios, salas de endoscopia,
laboratório de fisiologia anorretal, centro cirúrgico e leitos de observação e recuperação
anestésica, que garantem o padrão de qualidade dos principais centros do país.
    Temos credenciamento a vários convênios e Planos de Saúde. Fazemos
atendimentos privados e temos parceria com os municípios da região através do
CISCOPAR (Consórcio Intermunicipal de Saúde do Oeste do Paraná). 
    Um novo conceito em saúde está sendo implementado pelo CAD: buscamos
não apenas tratar pessoas enfermas e sim promover a saúde, através de exames de
prevenção e programas de rastreamento e assistência precoces. 
    Nosso corpo clínico conta com especialistas em Cirurgia Geral, Cirurgia do
Aparelho Digestivo, Coloproctologia e Endoscopia Digestiva, compondo uma equipe
altamente qualificada e experiente, que há anos presta atendimento a Toledo e região. 

    

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   A obesidade é hoje uma doença de proporções globais. De acordo com o
relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), envolvendo 194 países e
publicado em maio de 2012, a obesidade atinge cerca de 10% da população mundial.
No Brasil, estima-se que aproximadamente 11 a 15% da população sejam obesos,
muitos dos quais candidatos potenciais à cirurgia. Estes números classificam a
obesidade como um problema de saúde pública, com implicações socioeconômicas
significativas.

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   Ela pode ser definida como um aumento do peso corporal em relação ao peso
ideal, resultando em excesso de tecido adiposo (gordura) no organismo. As causas de
sua origem são multifatoriais e incluem aspectos genéticos, endócrinos, metabólicos,
sociais, ambientais, comportamentais e psicológicos. É fácil constatar, frente às causas
demonstradas, que a abordagem terapêutica da obesidade deve ser multidisciplinar.
Para tanto, é necessário participação de endocrinologistas, nutricionistas e psicólogos,
entre outros, tanto no período pré-operatório quanto no pós-operatório.

   O índice de massa corporal (IMC) é a principal ferramenta para diagnóstico e classificação da obesidade.
Reconhecem-se três graus, quanto à severidade: grau I, aqueles com
IMC entre 30 e 34,9 Kg/m² ; grau II, os indivíduos com IMC entre 35 e 39,9 Kg/m²; e
grau III, aqueles com IMC maior que 40 Kg/m², também chamados de obesos
mórbidos, graves ou severos. Essa classificação é importante, pois normatiza a
indicação da cirurgia bariátrica em âmbito nacional, seja junto ao sistema de saúde
pública (SUS) ou suplementar.


   Para o cálculo do IMC, utilizamos uma fórmula matemática simples que leva em
conta o peso (em quilogramas) e a altura (em metros).



   Pacientes com IMC maior que 40 Kg/m² apresentam indicação para o
tratamento cirúrgico. Pacientes com IMC maior de 35 Kg/m² , quando apresentam
doenças associadas de difícil controle, também apresentam indicação cirúrgica. Resta salientar que deve haver falha nos tratamentos prévios, tentados pelo menos por 2 anos, para que se possa indicar a cirurgia.

   O Conselho Federal de Medicina estabelece em sua Resolução 1942/2010 as
normas seguras e os critérios para o tratamento cirúrgico da obesidade mórbida.


DOENÇAS ASSOCIADAS



   Existem diversas doenças que têm frequência muito aumentada nos obesos. A
obesidade induz ao aparecimento delas, e por isso são chamadas genericamente de
comorbidades. Em geral, um aumento de 20% acima do peso médio aceito para a
idade aumenta as taxas de mortalidade em torno de 20% para homens e 10% para
mulheres. Essa relação é consistentemente observada nos pacientes com obesidade
moderada e severa (IMC>35).
   Segundo dados da OMS, a obesidade aumenta a morbimortalidade relacionada
a doenças cardiovasculares (hipertensão, angina, infarto e insuficiência cardíaca),
diabetes, dislipidemia, apneia do sono, doenças pulmonares e articulares, e distúrbios
psicológicos. Diversas formas de câncer têm também elevada prevalência entre os
obesos. Doenças digestivas, como o refluxo gastresofágico e a colelitíase (“pedra na
vesícula”), também estão aumentadas, assim como doenças ovarianas e infertilidade.
   Como a perda peso contribui sobremaneira para o controle dessas doenças, o
combate à obesidade ganha cada vez mais importância.


MODALIDADES DE TRATAMENTO



   Em geral, o tratamento clínico da obesidade está embasado na mudança dos
hábitos alimentares e na prática de atividade física, aliados à terapia medicamentosa.
   Devido ao fato de a imensa maioria dos pacientes severamente obesos não conseguir
alterar seus hábitos de forma definitiva, eles tendem a recuperar o peso perdido. Por
essa razão, os tratamentos mais conservadores à base de dietas e medicamentos não
conseguem manter perdas de peso significativas no longo prazo, e o paciente volta a
engordar, chegando muitas vezes a superar o peso inicial. Este fenômeno é conhecido
popularmente como “efeito sanfona” e aponta para uma importante constatação: o
paciente obeso mórbido deve ser encarado como portador uma doença grave e de tratamento complexo,
a qual está associada com maior risco mortalidade e redução na
qualidade de vida e na autoestima.
   Existem várias alternativas terapêuticas que, quando combinadas, conseguem
alcançar perdas de peso significativas. Destacam-se as dietas hipocalóricas, a terapia
comportamental e a psicoterapia, os exercícios físicos, e os medicamentos como o
Orlistat e a Sibutramina. O primeiro atua como um inibidor da absorção de gorduras
pelo intestino e o último como um inibidor do apetite.
Porém, em se tratando de obesidade mórbida, tais medidas são fugazes e
ineficientes. Nestes casos, o tratamento cirúrgico é o único que promove acentuada e
duradoura redução no peso, diminuindo as taxas de mortalidade e resolvendo, ou pelo
menos minimizando, uma série de doenças associadas à obesidade.
   A Cirurgia Bariátrica – nome dado às diversas operações para tratamento da
obesidade mórbida – é hoje um procedimento médico necessário por ser o único com
eficácia cientificamente comprovada para controle do peso nos indivíduos
severamente obesos no longo prazo. O seu sucesso ocorre devido a alterações
digestivas definitivas, que levam a uma restrição na forma de ingerir e de absorver os
alimentos.

TIPOS DE CIRURGIAS E OUTROS PROCEDIMENTOS

   Existem vários tipos de operação para tratamento da obesidade. Todas elas
têm suas particularidades e características especiais, que permitem ao cirurgião decidir
qual o melhor método que será empregado em cada caso. A escolha da operação deve
ser individualizada, levando-se em conta vários fatores, desde o tipo de alimentação
do paciente até a presença de comorbidades, como diabetes e doença do refluxo
gastresofágico.
   As operações bariátricas podem ser divididas em duas modalidades: as cirurgias
restritivas e disabsortivas. As primeiras restringem, diminuem o tamanho do
estômago, fazendo com que o paciente diminua a quantidade de alimentos ingeridos
para ter saciedade. As segundas promovem diminuição da absorção dos alimentos, o
que é conseguido através de um desvio intestinal (“bypass”). Ambos os métodos
podem ser associados, obtendo-se melhores resultados.
   A seguir, estão resumidos os tipos principais de operação e suas características
mais importantes. Com a evolução da cirurgia bariátrica, algumas das técnicas foram
deixadas de lado e perderam espaço para outras. Pode-se dizer, sem ressalvas, que as
cirurgias expostas a seguir são as mais consagradas e estudadas, com resultados já
bem estabelecidos e riscos conhecidos de complicações.

GASTRECTOMIA VERTICAL
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    A gastrectomia vertical ou “sleeve gastrectomy” ou simplesmente “sleeve” é
um procedimento tipicamente restritivo para perda de peso. O estômago é seccionado
e suturado ao longo de sua curvatura maior utilizando-se grampeadores. Com isso, o
volume gástrico fica reduzido em torno de 70%, e o estômago assume o formato de
um tubo ou manga (em inglês: “sleeve”). Outro mecanismo de sucesso da operação
está relacionado à Grelina, uma substância produzida no estômago e conhecida como
“hormônio da fome.” Ela age no cérebro, provocando a sensação de fome e
estimulando o apetite. A produção da Grelina está aumentada em situações de jejum e
reduzida nas situações de saciedade. Com a retirada de parte do estômago, o número
de células gástricas produtoras de Grelina é reduzido e com isso ocorre redução do
apetite, maior saciedade e restrição alimentar. O intestino é mantido intacto, e os
nutrientes são absorvidos normalmente. O paciente perde cerda de 30 a 40% do peso
inicial e em geral não há necessidade de suplementação vitamínica prolongada no pós-
operatório. Nos últimos anos, vem ganhando popularidade entre os cirurgiões no
mundo, por ser tecnicamente mais simples e por ter menores índices de complicações
no longo prazo. A cirurgia pode ser feita por videolaparoscopia e também pode ser
convertida em outras modalidades de cirurgia, caso haja insucesso em se atingir a
perda de peso desejada.

BYPASS GÁSTRICO EM Y DE ROUX:
CIRURGIA DE FOBI-CAPELLA




    O Bypass Gástrico em Y de Roux é a cirurgia bariátrica mais realizada no Brasil e
no mundo. É uma operação mista, que utiliza técnicas restritivas e disabsortivas. Ela
reduz o tamanho do estômago para 10% do seu tamanho original (em torno de 50 ml),
além de promover um desvio "bypass" no trânsito alimentar. O termo “Y de Roux” se
deve ao aspecto de como é feita a comunicação das alças intestinais, que lembra o
formato da letra Y.
    É considerada por muitos como a operação padrão, sendo também realizada
com uso de grampeadores, tanto na via aberta como por videolaparoscopia. Tem
excelentes resultados, atingindo perdas de peso que variam de 35 a 45%. O desvio
intestinal proporciona alterações metabólicas importantes, ajudando ainda mais no
controle do diabetes e da doença do refluxo.
Na variação técnica de Fobi-Capella, utiliza-se um anel de contenção ao redor
do novo estômago, permitindo maior efeito restritivo e evitando em princípio que o
estômago volte a crescer após a operação. Seu uso, porém, não é unânime entre os
cirurgiões, pois o anel pode provocar erosões e migrar para dentro do estômago.
    Por ser uma operação mais radical, ela carece de suplementação de vitaminas e
minerais por longos períodos no pós-operatório. Tem como complicação mais temida a
não cicatrização na linha de grampos, podendo resultar em hemorragia, fístulas
(vazamentos) e infecção.

DERIVAÇÃO BILIOPANCREÁTICAS:
CIRURGIA DE SCOPINARO E DUODENAL SWITCH




    Nesta modalidade, também são combinadas técnicas restritivas e disabsortivas.
Há uma redução do estômago, para um volume aproximado de 200 ml, e um desvio
intestinal maior, provocando maior disabsorção. É a técnica bariátrica que mais faz
perder peso, sendo preferida por grande número de cirurgiões no Brasil e nos EUA
para os pacientes muito obesos. O emagrecimento atinge até 40 a 45% do peso.
    A operação de Scopinaro foi inicialmente desenvolvida na Itália. Ela difere do
Bypass Gástrico em Y de Roux por manter o estômago maior e encurtar mais o
intestino. Isso permite ao paciente ingerir uma quantidade maior de alimento no pós-
operatório, muitas vezes mantendo um padrão alimentar próximo do normal. Porém,
a consequência é óbvia: parte do que é ingerido não é absorvido, levando a uma
necessidade duradoura de suplementação de vitaminas e sais minerais. Além disso, a
diarreia com mau cheiro e a flatulência são problemas constantes.
    O Duodenal Switch é um refinamento da técnica de Scopinaro, que emprega
uma gastrectomia vertical em vez de uma gastrectomia transversa.Pode ser considerada como uma cirurgia de Sleeve associada ao desvio intestinal. Apresenta em princípio
as mesmas complicações pós-operatórias, porém como a primeira porção duodenal é
mantida no trânsito alimentar, há uma menor tendência de ocorrer anemia em
comparação com a técnica de Scopinaro.
    Assim como no Bypass, os riscos de fístula (vazamento) e de hemorragia na linha
de grampos são as complicações mais temidas.

BALÃO INTRAGÁSTRICO

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    Um recurso clínico alternativo aos tratamentos clínico e cirúrgico da obesidade
é o método endoscópico de colocação de um balão dentro do estômago. Desenvolvido
para tratamento do sobrepeso e de alguns casos de obesidade, o balão intragástrico
permite alcançar índices de perda ponderal em torno de 10 a 15%. Apresenta como
vantagens a não necessidade de cirurgia ou anestesia geral, resultando em
recuperação muito mais rápida.
    Com o auxílio da endoscopia, coloca-se um balão de silicone com volume de
cerca de 500 a 600 ml dentro do estômago. O objetivo do tratamento é preencher
parte da cavidade gástrica, promovendo redução do apetite e sensação de saciedade
precoce, culminando com a tão almejada perda de peso.
    Deve-se salientar que este método não é definitivo para o tratamento da
obesidade mórbida. Mesmo os balões mais modernos são utilizados por um período
de tempo determinado, que pode chegar até um ano. Pode ser utilizado como
tratamento-ponte, ou seja, preparando o paciente para uma cirurgia bariátrica,
ajudando a reduzir as comorbidades antes da cirurgia. Isso é bastante válido para os
pacientes superobesos (com IMC >50).
    Como regra geral, pacientes com IMC entre 28 e 35 Kg/m² que já tenham
realizado outros tratamentos, ou aqueles com IMC acima de 35 Kg/m² que não
queiram ser operados são candidatos ao método do balão intragástrico.
    Recomenda-se a avaliação médica para estabelecer a indicação do tratamento.
Após o implante do balão, é importante o acompanhamento por uma equipe
multidisciplinar, visando à mudança dos hábitos alimentares e do estilo de vida. Com
isso, espera-se manter os benefícios do emagrecimento em longo prazo, uma vez que
muitos pacientes voltam a engordar após a retirada do balão.

A colelitíase ou “pedra na vesícula” se forma a partir de causas como obesidade, dieta pobre em fibras e rica em gorduras. Mulheres acima de 40 anos, grávidas e multíparas também têm maior risco de desenvolver cálculos biliares. Estes podem ser únicos ou múltiplos, grandes ou até bem pequenos (microcálculos). O principal sintoma é a dor biliar, que é contínua e intensa,de aparecimento rápido, lembrando uma cólica ou a sensação de peso no estômago, e em geral está localizada no abdome superior, podendo durar minutos ou até horas.  É comum estar relacionada com as refeições, em especial com alimentos gordurosos. Quando leve, a dor pode ser confundida com gastrite ou indigestão. O diagnóstico é confirmado em 99% das vezes pela Ultrassonografia. O tratamento de escolha é a colecistectomia ou “retirada da vesícula”, cujo objetivo principal é o alívio dos sintomas e a prevenção das complicações. A operação pode ser realizada por videolaparoscopia, em geral com período curto de internação e com rápida recuperação pós-operatória.

 

Dentre as doenças que mais comumente necessitam de avaliação para cirurgia, destacam-se as hérnias da parede abdominal. Elas podem ser congênitas (manifestadas ao nascimento) ou adquiridas (em idade precoce ou na velhice) e podem estar localizadas em várias partes do abdome, daí recebendo a denominação conforme a região que acometem. As mais comuns são:

  • Umbilicais, que estão relacionadas ao orifício de passagem do cordão umbilical.
  • Epigástricas ou supra-umbilicais.
  • Incisionais, quando surgem sobre uma incisão de cirurgia prévia.
  • Diafragmáticas, das quais a mais comum no adulto é a hérnia de hiato e se associa à Doença do Refluxo Gastresofágico.

O diagnóstico de uma hérnia é feito habitualmente pelo simples exame físico, pelo qual podemos identificar um aumento de volume localizado. Em geral, não são necessários exames complementares, com exceção da hérnia de hiato, cujo diagnóstico só pode ser firmado por exames endoscópicos ou radiológicos. Entre os leigos, hérnia é constantemente confundida com “íngua”, e muitas pessoas acham que a cirurgia “remove uma parte do corpo que está inflamada”. Na verdade, a hérnia pode ser entendida como uma ruptura ou abertura na camada 
músculo-tendínea que compõe a parede abdominal. A “íngua” que o paciente percebe ao palpar sua hérnia é o que chamamos de saco herniário. Ele abriga em seu interior estruturas que normalmente não deveriam estar aí alojadas, ou seja, estruturas que saíram de dentro para fora do abdome através do orifício herniário. Estas estruturas podem ser o intestino ou a gordura intestinal, o estômago, a bexiga, as trompas e ovários e até mesmo o apêndice. Hérnia, portanto, precisa ser corrigida e não removida.

Uma classificação importante no diagnóstico das hérnias diz respeito à capacidade de o médico, durante o exame físico, conseguir ou não reduzir o conteúdo do saco herniário. Em outras palavras, se o médico conseguir “empurrar a hérnia de volta para dentro da barriga”, temos uma hérnia redutível. Esse tipo de hérnia oferece menos perigo, pois nenhuma 
estrutura está presa na hérnia e não há risco imediato. Nesses casos, a cirurgia corretiva pode esperar, pois não existe urgência.

Contudo, as hérnias podem complicar, e as situações que predispõe a isso envolvem, quase sempre, algum grau de esforço físico. Seja nos quadros de tosse, vômito, esforço urinário, ou nos casos de levantamento de peso, quase sempre existe um histórico de esforço físico associado. 

Quando uma estrutura atravessa o orifício herniário e fica presa, dizemos que o paciente apresenta uma hérnia encarcerada. Esses casos, quando agudos, provocam bastante dor e levam o paciente a procurar atendimento. Nos casos em que o intestino fica encarcerado por muito tempo e não consegue ser reduzido, pode haver risco de evolução para uma temida implicação, que é a hérnia estrangulada. A parte do intestino presa na hérnia sofre um processo de isquemia (falta de circulação), e pode evoluir com gangrena, perfuração e infecção, a qual pode ser localizada ou disseminar-se para dentro do abdome. Estes casos devem ser operados com urgência pelo risco de evolução catastrófica.

A hernioplastia (cirurgia para correção da hérnia) passou por grandes avanços nos últimos anos, mas alguns princípios operatórios não mudaram. Certos tipos de hérnia, em especial as mais volumosas, necessitam de algum tipo de reforço da parede abdominal. À luz da ciência, evidenciou-se que as operações em que a hérnia era apenas suturada (“costurada”) apresentavam maiores índices de falha do que as operações em que se colocava uma tela de reforço. Quando a tela passou a ser utilizada de forma rotineira, a chance de reincidência de hérnia após a operação reduziu para menos de 1% nos casos de hérnia inguinal. Contudo, a colocação da tela nem sempre é necessária. São exemplos: a hérnia umbilical, a hérnia de hiato e as hérnias inguinais em crianças. Não podemos esquecer que a tela é um corpo estranho para o organismo, que não é absorvida, mas apenas incorporada aos tecidos, e pode trazer
complicações como infecção e rejeição. Portanto, seu emprego deve ser feito sob julgamento criterioso.

Buscando diminuir a sensibilidade pós-operatória relacionada à tela e diminuir o tempo de recuperação, alguns cirurgiões tem empregado com sucesso a técnica videolaparoscópica. Nessa modalidade, a tela é implantada por dentro do abdome e fica presa internamente à musculatura, diferente da cirurgia convencional em que a tela é fixada sobre a musculatura. Os índices de sucesso são praticamente os mesmos, porém a técnica videolaparoscópica apresenta menos dor e retorno mais rápido ao trabalho. A principal desvantagem é o maior custo envolvido e a necessidade de anestesia geral.

Alguns mitos precisam ser derrubados em relação à operação. Os pacientes muitas vezes pensam que nunca mais poderão fazer esforço de qualquer tipo. Isso não é verdade para a grande maioria das hérnias! Após o período de convalescença, o paciente é liberado para praticar todo tipo de atividade física, em especial nas cirurgias com implante de tela.

A hernioplastia, quando bem indicada, é uma cirurgia segura, podendo ser realizada em ambiente hospitalar e mesmo ambulatorial. Nos casos de hérnias menores, o paciente pode ser operado com anestesia local, a mesma utilizada quando alguém corta o dedo. Não há, inclusive, necessidade de permanecer internado, podendo receber alta no mesmo dia da operação.

Existem várias técnicas para correção das hérnias da parede abdominal. Devem ser considerados o tipo de hérnia e as características de cada caso, mas também é muito importante a experiência do cirurgião. Se você tem hérnia, não fique sofrendo com um problema que pode ser de fácil resolução. Consulte um especialista e descubra qual a melhor cirurgia para você.

 

O autor, Dr. Marcos Vinícius Zanchet, é Cirurgião Geral e Cirurgião do Aparelho Digestivo, com formação e Mestrado em Cirurgia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).

 

Câncer Colorretal

O que você precisa saber

O câncer colorretal é um importante problema de saúde pública, sendo o terceiro entre os tipos de tumor maligno mais encontrados nos homens e o segundo mais freqüente nas mulheres, excluindo-se lesões de pele não-melanoma, segundo levantamento do INCA. Fazem parte desse tipo de neoplasia os tumores encontrados no cólon e reto (intestino grosso).

Frente a essa elevada incidência, faz-se necessária a criação de estratégias para o seu diagnóstico precoce. A conscientização da população e o conhecimento da doença são de extrema importância para um maior sucesso no tratamento. 

Fatores de risco.
Dentre os principais, são citados: a história de pólipos intestinais, a doença inflamatória intestinal e a história familiar de câncer. 

Sintomas associados ao câncer colorretal 
Os sintomas associados dependem do estágio da doença e da área do cólon envolvida. Durante os estágios iniciais, algumas pessoas não apresentam sintomas. Outras se queixam de dor abdominal sem características específicas, gases, alterações discretas do hábito intestinal e cansaço discreto. 

Câncer de intestino localizado no lado direito do cólon pode causar dor abdominal, perda de peso e uma massa palpável no abdome. A perda de sangue causada pela tumoração pode causar anemia, que pode se refletir em fraqueza e cansaço. 

As lesões localizadas no lado esquerdo do cólon podem causar cólicas, dor abdominal, náuseas, vômitos ou constipação alternada com diarréia. Sangramento retal também pode ocorrer. 

Pessoas com câncer no reto podem apresentar vontande de evacuar recorrente, sangramento retal, espasmos dolorosos, alteração do hábito intestinal e fezes mais finas. 

Investigação 
Consultas médicas anuais são recomendadas para a maioria dos indivíduos, como parte da manutenção da saúde, especialmente a partir dos 40 anos. O câncer colorretal pode ser diagnosticado pelo exame físico apenas se ele se localizar na porção inferior do reto, por meio do toque retal. Como o intestino grosso tem cerca de 120 a 150 cm de comprimento, exames devem ser realizados para complementar a investigação do restante do cólon.

O melhor exame de investigação é a colonoscopia, que é realizada com a introdução de um aparelho flexível no intestino. Com isso, visualiza-se a parte interna do intestino e possíveis tumores podem ser detectados. Ainda, é possível retirar pólipos benignos, que, se não fossem retirados, no futuro poderiam tornar-se malignos. Esse exame é realizado sob sedação ou até mesmo na presença de um anestesista, para proporcionar maior conforto e segurança ao paciente. De um modo geral, é recomendado a partir dos 50 anos para todas as pessoas, mesmo que não tenham nenhum sintoma. Para aqueles que possuem história familiar ou algum dos sintomas da doença, o exame deve ser antecipado, e cada caso avaliado individualmente. 

Existem outros exames que auxiliam no diagnóstico, entre eles a pesquisa de sangue oculto nas fezes, o enema opaco com duplo contraste e as novas tecnologias como a colonografia virtual, realizada por aparelhos de tomografia computadorizada. 

Tratamento 
Uma vez diagnosticada a lesão, são necessários exames de estadiamento, que vão determinar em que estágio encontra-se a doença, para programar o melhor tratamento. 

O tratamento principal do câncer colorretal é a cirurgia, que pode ser realizada da forma convencional ou videolaparoscópica, na qual é realizada a ressecção ou retirada da porção intestinal afetada e dos linfonodos (gânglios) que drenam esse segmento. O tipo de cirurgia e a possibilidade de execução dependem de diversos fatores, incluindo o tamanho e a e localização do tumor e se ele está aderido a outros tecidos.

A cirurgia para o câncer colorretal não necessariamente significa que o paciente tem que ficar com um colostomia (“bolsinha”). Em algumas situações, os pacientes podem precisar de uma colostomia temporária, para prevenir que uma sutura mais delicada do intestino se rompa e ocorra a formação de uma fístula (“vazamento”) e de infecção. Em outras situações, em especial nas cirurgias de amputação do reto, a colostomia é permanente.

O tratamento com quimioterapia e radioterapia depende do estágio da doença. Pode ser realizado após a cirurgia e até mesmo antes, nos casos de lesões localizadas na porção inferior do reto. A indicação da melhor estratégia de tratamento e a seqüência que ela deve seguir deve ser decidida caso a caso.
 

Sofro com hemorróidas. E agora? 

De maneira geral, as pessoas portadoras de sintomas hemorroidários costumam sofrer em silêncio, com medo e vergonha por longo tempo, antes de procurar o médico. 

Nos dias de hoje, as hemorróidas podem ser tratadas no consultório de forma rápida, indolor e, na maioria das vezes, sem cirurgia. 

Do ponto de vista do paciente, a queixa de “hemorróidas” representa qualquer problema situado no ânus, desde prurido, nodulações, dor, edema, sangramento ou protrusão. Por isso, é comum encontrar pacientes se referindo a hemorróidas quando na verdade possuem algum outro problema anal.

As veias hemorroidárias são parte natural da anatomia humana e sua sintomatologia é uma das mais comuns da civilização ocidental. O problema ocorre em todas as idades, afetando ambos os sexos. Calcula-se que 50% das pessoas com mais de 50 anos de idade já foram afetadas por queixas hemorroidárias em algum momento de suas vidas. 

Dentre os fatores que contribuem para o desenvolvimento dos sintomas, destaca: hereditariedade, nutrição, profissão, clima, gravidez, tosse, esforço para evacuar, constipação intestinal e a própria velhice. 
As hemorróidas são classificadas de acordo com a localização (externa, interna e mista) e, as internas, de acordo com o grau (que varia de primeiro a quarto graus).

Quando as hemorróidas não causam nenhum sintoma, devem ser acompanhadas clinicamente, sempre dando importância a uma dieta rica em fibras e líquidos, para o bom funcionamento intestinal.

Nas hemorróidas com sintomas, existem diversos tipos de tratamentos, que devem ser indicados caso a caso. 

A queixa mais comum dos pacientes com doença hemorroidária é o sangramento, habitualmente ocorrendo durante ou logo após a evacuação. Ocasionalmente, a perda de sangue pode ser grave o suficiente para causar anemia profunda. A dor em geral não é causada pela hemorróida, exceto nos casos de trombose, ulceração ou gangrena. O prolapso é um sintoma comum das hemorróidas. 

O sangramento, quando ocasional e relacionado ao esforço, deve ser tratado clinicamente. A constipação deve ser tratada com medidas na dieta, laxantes ou uma combinação dessas duas. 

Nos casos em que os sintomas são recorrentes e a pessoa apresenta “crises” frequentes, é necessária uma abordagem diferente. 

Dentre as opções terapêuticas, destaca-se a escleroterapia, em que uma substância química (fenol a 5% em óleo vegetal) é injetada nas hemorróidas. Oferece alívio temporário e, algumas vezes, definitivo. 

Outra opção, destinada ao tratamento das hemorróidas internas, é a ligadura elástica dos vasos afetados. Nesse procedimento, são colocados elásticos dentro do canal anal, que “amarram” as hemorróidas, fazendo-as necrosar e cair. Esse procedimento pode ser realizado no próprio consultório e não necessita de anestesia, por ser indolor. 

Outra modalidade de tratamento, a criocirurgia, promove uma destruição celular da hemorróida através do congelamento rápido seguido de degelo. Esse tratamento é recomendado nos casos de pacientes que têm um risco muito grande e que não tolerariam uma anestesia de maior porte. 

A cirurgia convencional para o tratamento das hemorróidas, chamada de hemorroidectomia (ou extirpação da hemorróida) é um excelente tratamento, quando indicada com precisão. Existem várias técnicas cirúrgicas diferentes, devendo ser avaliadas individualmente. A recuperação após hemorroidectomia não é muito simples, pois a área operada tem uma sensibilidade muito grande, tornando as evacuações dolorosas nos períodos mais precoces. 

É importante frisar que nem todos que sofrem com hemorróidas vão necessitar de cirurgia e que, aos primeiros sinais e sintomas da doença, devem procurar um médico especializado para iniciar o tratamento e evitar complicações. E também para afastar outros possíveis diagnósticos. Várias doenças são frequentemente confundidas com a doença hemorroidária, tais como: fissuras, fístulas, pólipos intestinais ou até mesmo o câncer. 

É um pensamento comum entre os leigos achar que hemorróida pode virar câncer, quando, na verdade, o câncer que já existia estava sendo confundido com uma hemorróida. Por isso, não se automedique. Procure sempre uma avaliação médica especializada. Seu sofrimento será minimizado e, em casos mais sérios, até uma vida poderá ser salva.
 

Doença Diverticular do Cólon

A Doença Diverticular do intestino era rara até o final do século 19. Entretanto, tornouse progressivamente mais disseminada no final do século 20 e virtualmente epidêmica nos países ocidentais. Hoje, o risco de desenvolvimento de doença diverticular por volta dos 60 anos de idade se aproxima de 50%, mas provavelmente não mais do que 10% das pessoas com divertículos no cólon apresentam sintomas, e apenas uma pequena parcela necessitará de cirurgia. 

Os divertículos ocorrem mais frequentemente no cólon sigmóide, nos pontos onde os vasos sanguíneos penetram a parede intestinal. A aumento da pressão surge com o estreitamento e a segmentação progressiva do cólon, o que explica a maior incidência no cólon sigmóide, o mais estreito e submetido a maior pressão. 

O aumento da incidência da Doença Diverticular nos últimos 100 anos coincidiu com a redução no consumo de fibras e alterações na dieta.      

Uma dieta rica em fibras produz uma evacuação volumosa, que necessita de menos “esforço” do intestino para propelir seu conteúdo, diminuindo assim a pressão dentro do intestino. A adição de fibra mostrou-se eficaz no tratamento de muitos pacientes com doença diverticular sintomática não complicada.

 A maioria dos estudos relata que a Doença Diverticular é mais comum em mulheres e que sua incidência aumenta com a idade. 

Os pacientes geralmente têm uma história de mau funcionamento intestinal e apresentam dores abdominais, geralmente localizadas do lado esquerdo do abdome, que pode ser constante ou tipo cólica. A duração e a intensidade dos sintomas podem ser variáveis. Náuseas e vômitos são queixas raras, a menos que haja algum componente obstrutivo intestinal. Pode ainda ocorrer sangramento intestinal recorrente. 

A Doença Diverticular pode ser diagnosticada pela colonoscopia e exames radiológicos contrastados, como o enema opaco e a tomografia computadorizada. 

Pode acontecer de os divertículos inflamarem ou perfurarem, condição chamada de Diverticulite Aguda. O quadro clínico geralmente é de dor abdominal de forte intensidade, acompanhada algumas vezes de febre. O melhor exame para fazer o diagnóstico e avaliar o grau de comprometimento dessa complicação é a tomografia computadorizada. 

A Diverticulite Aguda pode ser classificada em vários estágios, sendo que nos estágios mais precoces, o tratamento recomendado é repouso intestinal e antibióticos, com ou sem internação hospitalar. Algumas vezes é necessária drenagem de coleções por meio de punções guiadas radiologicamente. 

Nos casos mais graves, uma cirurgia pode ser necessária, possivelmente com o uso temporário de uma colostomia. 

Mesmo nos pacientes com quadros repetitivos de crises de Diverticulite Aguda não complicadas está indicada a cirurgia eletivamente, pois as crises tendem a se agravar no caso de recorrência.

 Essa doença certamente resulta dos hábitos alimentares inadequados ao longo dos anos. Para a prevenção, recomenda-se uma dieta rica em fibras e líquidos, fazendo com que o intestino tenha um bom funcionamento.

 Ao apresentar algum dos sintomas acima, é recomendável procurar um médico especializado para investigar e descartar outras doenças com sinais e sintomas semelhantes.
 

O hábito intestinal é bastante variável entre as pessoas, dependendo de vários fatores como dieta, ingestão de líquidos e condições individuais. Considera-se normal a pessoa que apresente evacuações uma vez a cada três dias até três evacuações por dia, desde que as fezes não sejam diarréicas nem ressecadas. Mesmo pessoas com hábito intestinal regular podem passar períodos curtos com a freqüência modificada, por diversas causas.

A constipação intestinal (prisão de ventre) é uma das queixas mais comuns nos
consultórios médicos. Sabe-se que é mais comum entre as mulheres, mas não se encontrou uma explicação para isso ainda. É também mais comum nos idosos que nos indivíduos jovens.

A constipação pode ser classificada em aguda (início recente) ou crônica (progressiva, com início há anos).

A causa mais comum é a alimentação pobre em fibras, que são encontradas principalmente nas frutas, verduras e grãos. As fibras não são digeridas no nosso organismo e são divididas em dois grupos: solúveis e insolúveis. As fibras solúveis formam uma espécie de gel no intestino e as insolúveis passam intactas. O efeito delas é aumentar o volume das fezes e reter líquido nas mesmas, fazendo com que fiquem mais pastosas e fáceis de eliminar.

Assim como as fibras, a ingestão de líquidos é de extrema importância para um bom
funcionamento intestinal. Recomenda-se a ingestão de 1,5 a 2 litros de água diariamente.

O sedentarismo também contribui para o mau funcionamento intestinal, além de ser
prejudicial para vários outros órgãos e sistemas.

Existem algumas doenças e medicamentos que podem alterar o funcionamento
intestinal, fazendo com que funcione mais lentamente. Podemos citar, entre as mais comuns:

depressão, diabetes, hipotireoidismo, doenças neurológicas, Doença de Chagas, e o câncer colorretal.

O diagnóstico é feito com uma história clínica detalhada, investigando desde os hábitos alimentares até possíveis doenças associadas. Descartadas doenças graves que necessitem de tratamento específico ou de cirurgia, recomenda-se o tratamento clínico.

Um ponto crucial no tratamento da maioria dos pacientes com constipação intestinal
crônica é corrigir os vícios alimentares. Isso envolve o estímulo a uma dieta rica em fibras vegetais e líquidos.

Recomenda-se o estímulo à realização de atividades físicas, que também levará a um
benefício da saúde como um todo.

Existem medicações que podem ser usadas para auxiliar o bom funcionamento
intestinal. Alguns laxantes funcionam por um tempo, e depois danificam o intestino, criando uma dependência e uma necessidade de doses cada vez maiores para se obter o mesmo efeito. Outros laxantes, desde que utilizados em conjunto com alterações dos hábitos alimentares, podem ser usados por um período curto e depois descontinuados. Porém, algumas pessoas podem necessitar de uso crônico dessas medicações. Existem, ainda suplementos de fibras sintéticas, que podem ser usadas como uma complementação das fibras ingeridas na dieta.

Finalizando, uma pergunta simples fica para ser respondida: O que fazer para prevenir a constipação e manter o intestino funcionando regularmente?

Dentre as medidas mais eficazes, são consideradas:

- Refeições ricas em frutas, verduras e cereais

- Ingestão de 1,5 a 2 litros de água por dia

- Alimentação em horários regulares

- Obedecer, sempre que possível, a vontade de evacuar

- Mastigar bem os alimentos

- Praticar exercícios regularmente

- Não utilizar laxantes por conta própria

Se você tem problemas com o funcionamento do intestino ou não consegue evacuar
sem o uso de medicamentos, procure um médico para descartar alguma causa grave para o mau funcionamento intestinal e para realizar um tratamento adequado, melhorando em muito a qualidade de vida.

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